1970! Eu no alto de meus oito anos possando para uma foto publicitária. Lembro desse dia como se fosse hoje! Meu avô Américo mantinha essa foto na carteira!
Eu não sou mais tão criança a ponto de saber tudo e a dúvida é minha companheira inseparável, e é bom que seja assim. É só olhar ao redor e ver. A história mostra como aqueles que batem no peito e brandam aos quatro ventos suas verdades são patéticos e potencialmente perigosos. O que dizer daqueles que começam suas frases arrogantemente: - A verdade é assim: e blá blá blá (conheço vários e iniciei várias)... E é incrível de ver como publicitário cai nessa tentação. Se municia de uma karalhada de termos incompreensíveis à maioria dos mortais, para mistificar seu conhecimento. Para criar uma distância intransponível, que o coloca em um pedestal, entre seu saber superior sobre tudo e a humanidade indefesa com sua visão míope da realidade carecendo da luz de seu saber mercadológico, psicológico, artístico, filosófico e o que mais pintar. Mas justiça seja feita. Qual profissão que não caí na mesma tentação? A diferença é que os publicitários nutrem uma necessidade midiática muito maior, diria até patológica, e mais presente em seu dia a dia do que qualquer outra profissão exceto jornalista, talvez? Aquela velha história da faca do queijo tá mão de quem tem ousadia. Não nos culpe, vendem isso nas faculdades, estive lá e vi e aprendi, por conta própria, que o conhecimento é algo em eterna construção. Que a dúvida é um fator preponderante da evolução. O questionamento da realidade e daquilo que "querem" que acreditamos é o motor evolutivo da humanidade. Dou meu testemunho: Pouco ou nada sei mas investigarei para saber sobre o que for necessário saber para poder ser um profissional com conduta ética compatível com o mundo que gostaria de deixar para os meus filhos (se um dia os ter, que dúvida...)
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